O padrão típico do desenvolvimento autista inclui o fato de em algum momento nos dois primeiros anos de vida a criança limita seu consumo alimentar a carboidratos processados, açúcar e lácteos: pães, biscoitos, bolos, doces, salgadinhos, cereais matinais, massas, leite e iogurtes industrializados adoçados. Na enorme maioria dos casos é dificílimo mudar as preferências das crianças: ela simplesmente não aceita outro tipo de comida! Então para inserir esta criança numa dieta livre de glúten e caseína a solução em princípio seria substituir os produtos contendo glúten e caseína por equivalentes livres dessas substâncias, que ainda assim são preparados com arroz, açúcar, fécula de batata, farinha de tapioca, soja, trigo sarraceno, etc. Esse tipo de comida alimenta a flora intestina anormal tanto quanto o glúten a dieta anterior, perpetuando o ciclo vicioso de um sistema digestivo enfraquecido e doente, que libera toxinas para a corrente sanguínea e o cérebro.
É claro que a dieta livre de glúten e caseína elimina uma parte das toxinas que são enviadas por todo o organismo: a gluteomorfina e as casomorfinas e isso faz alguma diferença, isso faz algum bem. Em algumas crianças o efeito é surpreendentemente bom. Mas infelizmente na maioria dos casos o efeito não ocorre, ou quando ocorre é apenas por algum tempo, porque as demais toxinas contiuam lá, sendo produzidas pela flora intestinal anormal. Se patógenos como Candida, Clostridia, entre outros continuam lá povoando o sistema digestivo, a inflamação persiste, o intestino fica enfraquecio, permitindo ainda que diversas substâncias indigestas e tóxicas sejam espalhadas pelo organismo.
O fato desta dieta ter ganho fama mundial como “a dieta do autismo” é muito infeliz, porque ela cobre apenas uma parte muito pequena o problema: as gluteomorfinas e as casomorfinas. Como sempre acontece, diversas indústria do setor alimentício se aproveitaram de tal fama lançando uma infinidade de produtos com o rótulo “livre de glúten” e/ou “livre de caseína”, porém são produtos industrializados e são produtos cheios de açúcar (ou pior, em alguns casos, adoçantes artificiais), carboidratos refinados, gorduras alteradas edesnaturadas, proteínas alteradas e desnaturadas e outras tantas substâncias que crianças autistas jamais deveriam consumir. Toda publicação relacionada a auismo vem recheada de publicidade desses produtos, dando aos pais uma falsa sensação de segurança: se é livre de glúten e livre de caseína, então o produto deverá ser bom para a minha criança autista, pensam eles. Livros são escritos cheios de receitas, sempre baseadas nesses produtos alimentícios altamente industrializados, açúcar, proteínas e gorduras alteradas. Sites na internet e foruns trocam o mesmo tipo de receitas…
Este é apenas mais um exemplo do que já aconteceu diversas outras vezes na história da humanidade: pesquisas científicas sérias interpretadas e usadas de maneira incorreta. Não há dúvida de que eliminar o glúten e a caseína da dieta de crianças autistas seja uma medida importante, porém nem de longe essa medida é suficiente e decisiva.
Minha sugestão: continuem sim evitando totalmente o glúten e a caseína da dieta das crianças autistas, porém não se contentem apenas com isso! Livrem-se dos industrializados, busquem alimentos o mais naturais possíveis, o mais orgânicos e/ou biodinâmicos possíveis.